segunda-feira, 25 de abril de 2011

Seu mundo é o SEU mundo

Você pode achar lindo o pôr do sol, a sua rua, uma árvore, as cores das coisas, a vida, um funeral, uma música bem lenta e com letra feliz, o que sua mãe fala, a vida (de novo? só pra frisar), aquele sanduba depois que chega alcoolizado em casa, as cores (sempre as cores...), seu bichinho de estimação, o arroz da sua mãe, a sua mãe, uma tarde quando o sol tá assim assado, enfim, você pode achar tudo isso lindo e se entreter ali por horas. Parabéns pra você, sério mesmo, quem me dera ter os seus olhos.
Mas eu não vejo as coisas tão belas, talvez apenas as coisas que as pessoas normais (lê-se "a maioria das pessoas") acham bonito. Eu vejo concreto, asfalto, céu, nuvens, efeitos climáticos, interpretações que o cérebro faz da luz via bastonetes localizados dentro dos glóbulos oculares (lê-se CORES), animais, carne, sangue, saliva, ocasiões inusitadas e coincidências incovenientes, aquela coisa do "o que é pra ser, será" ao invés de "que triste o meu destino, a desgraça me persegue".
Você pode achar lindo ver o mundo do seu jeito, não estou lhe julgando, eu até te invejo. Por que cansei de tentar entender a beleza nas coisas e me sentir uma casca vazia por ser a única pessoa desejando desesperadamente que você se cale.
O mundo é feliz demais pra mim, as pessoas estão cada vez mais iludidas, deixando os problemas da vida real de lado e se preocupando apenas em imaginar como seria a vida se o elefante fosse cor-de-rosa, ou se eu fosse feito de chocolate.
Me deixam intrigado as pessoas que reclamam da vida, desejando voltar a ser criança... Apenas pra escapar de certas dores, não sei.
Crescer, pra mim, nunca foi tão bom.